FECHAMENTO DO CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO CULTURAL SOBRE A BAHIA CEDIC
Corre a notícia, à boca pequena, que a Fundação Clemente Mariani vai fechar as suas portas.
Os boatos já percorrem as resenhas acadêmicas e estão sendo comentados por professores e estudantes das principais unidades acadêmicas de Salvador e Recôncavo, perpassando por seus corredores e salas.
O pior é que as conversas sobre o assunto só estão acontecendo num ciclo fechado, dentro dos muros destas instituições. Isso pelo fato de ATÉ O MOMENTO NÃO TER SIDO NOTICIADO NADA SOBRE O ASSUNTO EM NENHUM MEIO DE COMUNICAÇÃO. O QUE É, VERGONHOSAMENTE, UM ABSURDO!
NÃO EXISTEM PROTESTOS OU BANDEIRAS POR PARTE DE PROFESSORES E ESTUDANTES (graduandos, mestrandos, doutorandos, pesquisadores de modo geral).
E não se trata de uma instituição desconhecida. Muito pelo contrário. Quem, no MEIO ACADÊMICO, nunca ouviu falar, fez pesquisas ou participou dos cursos promovidos pelo Centro de Documentação e Informação Cultural sobre a Bahia, mais conhecido como Cedic? Muitos mestres e doutores certamente sim...
Pois este CENTRO DE PESQUISA riquíssimo e singular, ESPECIALIZADO EM HISTÓRIA DA CULTURA BAIANA, FONTE DE CONHECIMENTO SOBRE A BAHIA e responsável pela formação de gerações de mestres e doutores de várias partes do país e até do exterior, VAI FECHAR SUAS PORTAS EM BREVE!
E NINGUÉM SE MANIFESTA!!!
Assim sendo, pergunta-se: ONDE ESTÃO OS PESQUISADORES que se utilizaram do acervo do Cedic para a elaboração de seus trabalhos acadêmicos e que sempre proclamaram este centro como referência em termos de História da Bahia e do Brasil, tanto nacional quanto internacionalmente?
Professores e acadêmicos falam, falam e não fazem nada!!!
Engraçado, lembro de um momento na faculdade em que um dos meus professores pregou na sala de aula, e com orgulho, uma de suas muitas experiências no mundo acadêmico. Dizia ele: “O bom aluno vai à busca das fontes, seja nos arquivos públicos, nas bibliotecas, nos centros de pesquisa e memória...” e completou dizendo que a resposta da sua formação estava na sua trajetória enquanto estudante dedicado, responsável e curioso, e que ele se considerava o eterno pescador e conquistador de conhecimentos, destacando ainda o Centro de Documentação e Informação Cultural sobre a Bahia (instituição que sempre nos indicava para a realização de pesquisas e elaboração de trabalhos da sua disciplina) como um importante mediador na construção e formação do seu conhecimento.
Concordo professor. Mas, e agora? Diante de tal situação, ainda que sejam boatos (no fundo sempre tem um pouco de verdade, ou muita verdade), o que o doutor responderia aos alunos que, por inúmeras e repetidas vezes, ouviram do senhor incentivos voltados a defesa da cultura e do conhecimento?
Estamos aguardando respostas... Na verdade...
...é A SOCIEDADE BAIANA que AGUARDA RESPOSTAS...
Sabe-se que o Cedic existe sob os auspícios de uma fundação (a Clemente Mariani) e que esta, por sua vez, é mantida por uma instituição PRIVADA (um banco ou grupo de banqueiros... ao que parece...) e que, portanto, pode fechar suas portas (e as do Cedic, infelizmente) ao bel prazer de seus mantenedores. Até aí, tudo bem...
Acontece que A COLEÇÃO DE DOCUMENTOS que está sob os cuidados DO CEDIC, pela forma como foi reunida e disponibilizada à comunidade pela Fundação Clemente Mariani e também por ser composta em sua boa parte por obras antigas e raras sobre a Bahia, muitas delas já em domínio público, É UM BEM PERTENCENTE À SOCIEDADE BAIANA, que, nesse caso, MERECE ESCLARECIMENTOS SOBRE O DESTINO DESSA PRECIOSA COLEÇÃO.
Os boatos relatam que várias instituições de pesquisa da capital demonstraram interesse em obter a guarda do acervo do Cedic, mas que, a debalde disso, os mantenedores do centro estão inclinados a doar a coleção para a Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), campus da cidade de Cachoeira.
Especulações...?
Pode ser, mas a verdade é que A SOCIEDADE BAIANA MERECE UM COMUNICADO OFICIAL POR PARTE DOS MANTENEDORES DO CEDIC SOBRE ESTE ASSUNTO, esclarecendo questões como:
a) PORQUE O CEDIC FECHARÁ SUAS PORTAS? E PORQUE FAZER ISSO SEM DAR UMA SATISFAÇÃO À SOCIEDADE BAIANA?
b) A COLEÇÃO DE DOCUMENTOS VAI MESMO PARA A UFRB, NA CIDADE DE CACHOEIRA?
c) PORQUE ESCOLHER A UFRB E NÃO OUTRA INSTITUIÇÃO, NA CAPITAL?
d) A COLEÇÃO DO CEDIC FICARÁ REUNIDA EM UM DETERMINADO LOCAL OU SERÁ INCORPORADA AO CERVO DA UFRB?
e) PORQUE DEIXAR SALVADOR, CIDADE JÁ CARENTE EM INSTITUIÇÕES ESPECIALIZADAS EM PESQUISA ACADÊMICA, E OS SOTEROPOLITANOS ÓRFÃOS DE UM DOS MAIS IMPORTANTES CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA DO PAÍS?
Deixo aqui o meu PROTESTO contra o fechamento do Centro de Documentação e Informação Cultural sobre a Bahia e se, infelizmente, não for possível mantê-lo em funcionamento, LEVANTO bandeira a favor da permanência da coleção de documentos do Cedic em solo soteropolitano.
À cidade de Salvador o que é da cidade de Salvador!

Estou plenamente de acordo com o texto. O acervo bibliográfico do CEDIC é muito importante e constante de muitas obras raras. Esse acervo não pode sair da capital, pois aqui as possibilidades de consulta são muito maiores. Penso que o Governo do Estado deve favorecer a permanência desse acervo em Salvador, em boas condições de preservação e consulta. Dou meu testemunho do quanto o CEDIC foi importante para a minha tese de doutorado "A Talha Neoclássica na Bahia". Desejaria que a família Mariani continuasse honrando à memória dos patriarcas mantendo essa obra.
ResponderExcluirLuiz Alberto Ribeiro Freire - Professor da Escola de Belas Artes da UFBA
Obrigado professor, por seu comentário e seu posicionamento. É bom que os colegas se manifestem de algum modo, quem sabe assim a sociedade baiana poderá ter algum esclarecimento por parte dos mantenedores do Cedic sobre a veracidade (ou não) desses boatos.
ResponderExcluirConcordo que precisamos nos posicionar diante desse absurdo! Na verdade o Ministério Público também precisa se manifestar. O CEDIC tem contribuído para a elaboração de inúmeras dissertações e teses ao longo de anos, bem como realizando encontros, seminários, discussões sobre temas importantes para a cultura baiana. Realizei minha tese de Doutorado: " Um Olhar sobre a Educação na Bahia: a salvação pelo ensino primário (1924-1928), pesquisando na Fundação, bem como ministrei alguns cursos sobre História da Educação.Pude ver de forma recorrente o cuidados dos funcionários (destaco Graça, excelente bibliotecária, Renato, restaurador e Lúcia)com os livros, com o atendimento de foma sempre solícita para atender nossas demandas de pesquisa. Foram anos observando esse cuidado! Na verdade, não podemos permitir que o CEDIC, a Fundação, feche suas portas sem que saibamos os motivos. Não podemos permitir que o acervo vá para uma Instituição que não tem infraestrutura ou competência para preservar um acervo tão importante. Existem obras que não existem nem na Biblioteca Nacional. Livros raríssimos que precisamos garantir que possam ser consultados pelas gerações futuras. Não podemos permitir que o acervo realmente saia da capital. E precisamos de esclarecimentos para que possamos ter a certeza que o acervo não sofrerá danos pela incúria com a História do Povo Baiano. Sugiro que façamos ativismo virtual usando as redes sociais. José Augusto R. da Luz professor da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS.
ResponderExcluirA simples possibilidade de fechamento do CEDIC deve ser motivo de indignação e naturalmente revolta não só por parte de acadêmicos e pesquisadores que como eu utilizam aquele magnífico acervo ordianariamente mas por parte de todos os que amam e prezam a cultura.
ResponderExcluirTrata-se de um acervo especializado e vale dizer frágil, portanto não se trata somente da questão da sua recolha, mas que se dê ao acervo todas as condições tecnicas de manutenção, alias com vem sendo dado até hoje.
Bom, a morte do Cedic foi, silenciosa e calmamente, consumada em 30 de dezembro de 2011. Era uma vez um centro de documentação... E é uma pena que, em breve, tenhamos que dizer o mesmo sobre o seu precioso acervo... Era uma vez...
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